BKK na comemoração do aniversário do Imperador Akihito

A Brasil Kyudo Kai foi  convidada pelo Senhor Cônsul Geral Hajime Kimura, responsável pelo Consulado Geral do Japão, em Curitiba, cuja Jurisdição abrange  o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a participar da Cerimônia de comemoração do Aniversário de Sua Majestade Imperial, o Imperador Akihito. 

O evento ocorreu no dia 06 de dezembro na residência oficial do Senhor Cônsul e a BKK foi representada pelo Rene Guimarães, praticante do grupo de Ponta Grossa.

A BKK, que há quase 10 anos trabalha na divulgação da cultura japonesa pela prática do Kyudô, vem agradecer o convite.

O surgimento do Amazonas Kyudo

Amazonas Kyudo

15 de janeiro de 2017

Olá a todos, sou a responsável pelo grupo Amazonas Kyudo e por meio destas poucas palavras gostaria de contar um pouco de nossa história e de coração espero que sirva de incentivo aos que desejam começar um grupo e ao que estão com o grupo no início, que estas palavras sirvam de incentivo para perseverar e assim continuar com suas práticas de Kyudo porque a luta é grande mas não impossível.

A ideia de trazer o Kyudo ao Amazonas surgiu dentro do grupo de Kendo. Eu era praticante de Kendo e Arco Olímpico (recurvo) e meus senpais me perguntaram o por que de não iniciar o grupo de Kyudo em Manaus. Não fazia ideia do que era Kyudo. Então, a partir daí comecei a buscar informações sobre a modalidade e das possibilidades de trazê-la a Manaus.

Foi quando entrei em contato com a Elisa-senpai e ela disse os passos que deveria dar, ou seja, os workshops em Manaus ou a minha ida as dojos no Brasil para aprender e trazer ao grupo os conhecimentos adquiridos.

A ideia aceita foi dos workshops, mas surgiram os questionamentos financeiros. E para solucioná-los fui em busca dos interessados. Estes reunidos no mês de dezembro no ano 2016, concordaram em começar a pagar as mensalidades a partir de janeiro para ter verba suficiente e assim custear os gastos do primeiro workshop que foi realizado em Abril.

De janeiro até abril, os treinos estavam em volta de exercícios físicos, fortalecimento dos membros superiores e inferiores, e simulação de tiros com a faixa elástica. Depois do workshop os treinos continuaram com os exercícios de fortalecimento e mais os movimentos ensinados pela senpai.

No mês de setembro tivemos nosso segundo workshop com o Igor-senpai. Aprendemos mais detalhes e vimos a grande necessidade de começar a comprar os arcos para fazer a prática completa dos movimentos. E devido à empolgação do grupo no segundo workshop, fizemos nossa primeira compra de seis arcos.

Hoje o grupo está pequeno, mas a todo vapor. Começamos com 20 a 25 alunos no nosso primeiro dia de aula (15/01/2017) e hoje estamos por volta de 10 a 11.

Realmente não poderei deixar de elogiar os membros do Amazonas Kyudo porque eles são perseverantes e tenho certeza que serão brilhantes. Nada na vida se dá o verdadeiro valor se não for conquistado pelas próprias forças.

Brasil na 3ª Copa do Mundo de Kyudô!

Finalistas Mundial Paris 2014
Finalistas categoria em grupo, Copa do Mundo de Kyudô – Paris 2014. Divulgação kyudo.fr

 

2014: A 2ª Copa do Mundo de Kyudô e um inesperado Vice-Campeão.

O segundo mundial de Kyudô em Paris, 2014, contou com a primeira participação brasileira.

No mundial anterior em Tóquio no ano de 2010, o Brasil somava apenas dois anos de Kyudô e não pôde enviar competidores.

No entanto na cidade de Paris, aos seis anos de BKK, nós, iniciantes na competição, tivemos uma feliz supresa. Na categoria individual de 0-3 dan, Igor Prata (3º dan) em uma performance fabulosa, marca a presença brasileira conquistando a Medalha de Prata e recebendo o título de Vice-Campeão.

Igor Prata Vice-Campeão 2014
Igor Prata Vice-Campeão individual 2014.

 

2018: Dez anos de BKK

No ano em que a BKK comemora a sua primeira década teremos a oportunidade de conquistar mais um título ao Brasil, mas não apenas isso.

Nesta ocasião também almejamos repetir ou, quiçá, ampliar os feitos de 2014, trazendo mais medalhas para o país aumentando o número de atletas participantes!

Os custos deste empreendimento são altos e os benefícios da participação esportiva brasileira são inúmeros e estão além do desfrute pessoal, para tanto lançamos o projeto de:

Arrecadação de Fundos para a Delegação Brasileira – 3ª Copa do Mundo de Kyudô

Consiste numa arrecadação online, que será revertida inteiramente para o custeamento da participação brasileira neste mundial. Translado do equipamento, taxa de inscrição, hospedagem, passagem e tudo o mais que for necessário para nossos atletas.

A contribuição é simples, muito importante e pode ser feita através deste link.

O’Brien Sensei: Kyoshi e Tradutor

As Artes Marciais japonesas com sua longa história possuem uma rica fortuna literária que reúne obras mais conhecidas, ou menos desconhecidas. Às vezes largamente traduzidas e pobres do ponto de vista editorial e crítico, são frequentes obras não completas e traduções via línguas latinas ou germânicas. Os títulos são muitos e vão desde obras antigas de contextos editoriais e autorais peculiares, como o Livro dos Cinco Anéis (五輪の書 Go Rin no Shô) e o controverso 葉隠聞書 Hagakure Kikigaki, até textos mais recentes como as contribuições do romancista e iaidoka Yukio Mishima (三島 由紀夫, 1925 – 1970).

Mesmo especificamente no Kyudô os textos são muitos, como 弓の心 Yumi no Kokoro de Inagaki Genshiro Sensei (稲垣源四郎先生, 1911 – 1995) e mesmo o 射法訓 Shaho Kun e o 礼記射儀  Raiki Shagi que abrem o Kyudo Manual são registros da proximidade histórica do 武道 Budo ao texto escrito. [1]

Entre tantos textos, é difícil a interpretação, seja pelo acesso a traduções ou pelo duvidoso exercício da contextualização.  O Kyudo Manual permanece como a publicação mais importante e básica para a aprendizagem e o treinamento de nossa disciplina. A importância de seu estabelecimento pela ANKF e a aparição da primeira edição em 1953 foram incontestáveis para assegurar a longevidade e a expansão do Kyudô. E para o público estrangeiro a tradução para o inglês supre um enorme vazio. Este texto pretende divulgar quem foi o seu tradutor.

O’Brien Sensei Kyoshi Hachidan [2]

Liam O’Brien Sensei (1946-2015) foi membro fundador da EKF (European Kyudo Federation) como presidente da UKKA (United Kingdom Kyudo Association) e foi shidosha da LKS (London Kyudo Society).

Iniciou seu treinamento de Kyudô no Japão na cidade de Kamakura, sob a tutelagem de Takeda Yutaka Hanshi em janeiro de 1972, então aos 26. Na primavera deste ano alcançou sua primeira graduação, e antes de voltar para Londres em 1974 já possuia yondan. Tornou-se godan em 1983, nove anos depois, com 37, em um seminário em Londres organizado pela EKF.

Em 1984 O’Brien Sensei retorna ao Japão, desta vez mora em Kobe e estuda Kyudô com Takeuchi Osamu Hanshi, no Ashiya Dojo, onde por nove anos treinará todas as tardes e finais de semana. Um de seus sempai nesse dojo é o hoje consagrado Hayashi Fumio Hanshi.

Ray Dolphin, hoje presidente da Associação de Kyudô do Reino Unido e outrora amigo e companheiro de O’Brien Sensei, a respeito dos seus anos em Kobe, lembra que ele frequentemente dizia:

“No Japão se aprende ficando embaraçado, cometendo erros e recebendo correções. (…) Quando Takeuchi sensei pediu a uma aluna para assisti-lo durante um Yawatashi, foi dado a uma mulher a chance de ser Daini Kaizoe, mas ela disse que não sabia e que não se sentia preparada. Ele nunca mais lhe pediu. (…) Quando um Sempai repreende um Kohai, nunca deve ser pessoal e sempre pelo benefício do aspirante.” [3]

Na experiência de um dojo genuíno, visitantes estrangeiros tendem a ser recebidos como convidados, e é muito comum que se tolere alguma ignorância à cultura japonesa. Não era o que acontecia com O’Brien Sensei, que em 1984 passa a Renshi, em 1986 para Rokudan e, em 1992, assim que retorna ao Reino Unido, passa a Kyoshi.

Com seu retorno do Japão, O’Brien abre a sua casa para praticantes de graduação alta se prepararem para os seminários seguintes, e inicia em Heston uma prática de domingo que culminará na Sociedade de Kyudô de Londres. Anzawa Sensei neste momento atribui o nome de Shatokurin ao dojo em que O’Brien treina na capital do Reino Unido, significando “lugar da virtude do disparo”.

“Sem a relação Sempai-Kohai não há treino de Kyudô”

Nestes anos, no pós-treino, O’Brien Sensei e sua esposa frequentemente convidavam os seu alunos mais envolvidos para uma refeição da tarde. Nestes encontros informais eles conversavam  sobre Kyudô e a sua experiência no Japão.  A mesma situação íntima e informal que O’Brien teve com Takeuchi Sensei, que gostava muito de café preto e passava horas depois do treino com seus alunos em uma cafeteria tomando café e fumando.

Para O’Brien Sensei, no Kyudô, a relação aluno e professor é primordial. Apesar de ensinar sem descriminação, ele demandava uma relação apropriada e séria com seus alunos. Pela memória de Ray Dolphin, O’Brien dizia:

“Sem a relação Sempai-Kohai não há treino de Kyudô. Um grupo de pessoas praticando juntas não constitui um dojo. (…) No começo de toda prática, deve-se sempre fazer o Aisatsu (saudação) apropriado, primeiro ao dojo, depois ao seu professor e então aos outros membros do dojo.” [4]

Para ele o Kyudô era um meio de cultivação moral, Shyuyodo, assim o que é importa é como você se aplica ao treino e não a sua efetividade no tiro. Pela lembrança de Dolphin, O’Brien Sensei obviamente ensinou a técnica, mas sobretudo ele ensinou o Reigi, respeito pelas pessoas que treinam juntas, respeito ao equipamento e à prática ela própria.

Há uma percepção de treino muito madura prevista no Kyudo Manual, sob o título Ethics of Kyudo (Moral code and Etiquette – Michi to Rei), no qual se discute os “dois aspectos do Kyudô”. O aspecto esportivo, técnico e competitivo e “as partes mais profundas da prática”, que envolvem os ideais Shin, Zen, Bi:

“Nada mais desagradável no Kyudô que o disparo baseado no apego ao ato de acertar. Em nossas vidas diárias, nós também experimentamos esse tipo de atitude, mas a realidade deste desejo é mais evidente no disparo, por isso em nossa prática a importância da verdadeira atitude sobre o desejo é encontrada e nossas vidas podem ser experienciadas mais profundamente. Neste contexto, expressões como “Atirar é vida” (Sha Soku Jinsei), “Atirar é Viver” (Sha Soku Seikatsu) ganham sentido.” [5]

O Legado De O’Brien Sensei

Em 1992 O’Brien concluiu a tradução do primeiro volume do Kyudo Kyohon para o inglês, e dizem que apenas aqueles que treinaram antes deste ano podem realmente apreciar o valor deste livro.

Dolphin lembra que para O’Brien não há nada pior do que ensinar o seu próprio entendimento do Kyudô, pois deve-se ensinar o que se foi recebido de alguém de nível Hanshi ou seguir o Manual. Nesse sentido, o legado de O’Brien assegura que o pior não aconteça, mas não foi apenas esse seu legado.

Em 1910, o Kew Jardim Botânico Real de Londres recebeu uma replica de um jardim japonês Chokushi-mon que por anos ficou sem manutenção. Mas em 2006 com a ajuda do Embaixador Japonês, reformas foram feitas e e O’Brein Sensei foi convidado para fazer um Yawatashi na ocasião de sua reinauguração onde bençãos xintoístas também foram dadas.

O’Brien também pôde se tornar amigo íntimo de um japonês artesão de yumi, Higosaburo Sensei que impressionado com a colaboração de Liam ao Kyudô, presenteou-o com um Mangi Yumi (o modelo mais especial feito por Higosaburo, que é colado com um adesivo natural chamado Nibe, e sempre feitos durante a noite, para que o artesão não seja perturbado e possa se concentrar inteiramente nestas obras-primas).

Yumis de bambu são sempre feitos aos pares e sabendo disso, logo depois de chegar ao seu hotel depois da visita em que fora presenteado, O’Brien decidiu voltar a Higosaburo para fazer uma oferta de compra ao yumi que faz par com aquele que ele havia acabado de ganhar. No caminho, encontrou Higosaburo com o yumi em questão em mãos, indo em direção ao hotel de O’Brien, para lhe dar este também, pois este sem seu par parecia solitário… Em 2003, Higosaburo visitou a Sociedade de Kyudô de Londres e pôde ensiná-los como cuidar de seus yumis.

Nos seminários da EKF O’Brien Sensei sempre atuou como tradutor e intérprete dos ensinamentos transmitidos pelos professores de nível Hanshi, o que requer profundo conhecimento em terminologia técnica.

Também a sua experiência com Kyudô old school no Dojo Ashiya sob a tutela de Takeuchi Sensei, foi ímpar, pois antes de passar para nanadan em 1997 foi convidado por Kamogawa Sensei para participar do seminário de Kyoshi da ANKF. Nesta ocasião tornou-se amigo de Ishii Sensei e Miyauchi Sensei que  hoje são Hanshi.

Neste período a Princesa Imperial Takamado visitou o seu dojo em Londres e foi acompanhada do presidente da ANKF Suzuki Sensei. Uma grande honra ao Kyudô estrangeiro.

A ANKF lhe concedeu postumamente o hachidan  e um certificado foi dado a sua filha em um seminário Shogo em outubro de 2015. Um evento comemorativo foi feito em Lilleshall e neste Tsuito Shakai mais de 70 pessoas de toda a Europa vieram para disparar um par de flechas em sua memória.

O’Brien Sensei protagoniza um documentário filmado pela NHK World sobre Kyudô; e há um vídeo em sua memória compartilhado na rede.

[1] MUSASHI, M. O Livro Dos Cinco Anéis – Gorin No Sho. São Paulo: Conrad. 2010. 148 p.
TSUNEMOTO, Y. Hagakure. São Paulo: Hunter Book. 2014. 80 p.
GENSHIRO, I. Yumi no Kokoro – The Spirit of Kyudo – Lo Spirito del Kyudo. Milano: Luni Editrice. 2014. Trilíngue. 128 p.

[2]As informações contídas neste texto foram todas encontradas em: ZIMMERMANN, G. European Kyudo Federation Newsletter. Publicação online, v. 1, n. 1, 2016. Disponível aqui.

[3] DOLPHIN, R. The Legacy of Liam O’Brien, Kyoshi Hachidan. In: ZIMMERMANN, G. (Org.) European Kyudo Federation Newsletter. Publicação online, v.1, n. 1, 2016. p. 2. Tradução nossa.

[4] DOLPHIN, R. IDEM p. 3. Tradução nossa.

[5] ANKF (Org.). The Two Aspects of Kyudo. In: Kyudo Manual, Tóquio: ANKF, 1995. p. 21. Tradução nossa.

Resultados do I Seminário Sul-Americano de Kyudô

Aconteceu, nos dias 27 e 28 de julho, o I Seminário Sul-Americano de Kyudô patrocinado pela Federação Internacional de Kyudô (IKYF) com organização da Associação Argentina de Kyudô (AAK). O seminário ocorreu em Buenos Aires e, após os dois dias de treino intensivo, no dia 29, os participantes puderam prestar o exame para promoção até 5 dan e renshi.

A IKYF enviou para este seminário três grandes mestres: Continuar lendo Resultados do I Seminário Sul-Americano de Kyudô

Ficha de informação de viajantes para o I Seminário Sul Americano de Kyudo

Esse é um formulário simples para monitorarmos cada membro que compões a delegação brasileira, chegando e saindo da Argentina para o I Seminário Sul Americano de Kyudo (2017).

Por favor, quem estiver viajando, preencha a lista com o seu nome, aeroporto e datas de saída e chegada. Essas informações serão úteis aos demais praticantes brasileiros que poderão se organizar em translados coletivos além de fazer companhia no aeroporto. Essas informações só serão compartilhadas entre os membros da BKK que irão ao seminário.

Links para o formulário: https://goo.gl/forms/sAK7p59HMlCsrRdC3

 

 

Matéria sobre Kyudô na TV Brasileira

No dia 15 de Julho de 2017, durante o 1º Workshop de Kyudo em Salvador, membros da BKK foram convidados para uma entrevista e assim contar um pouco sobre a arte marcial, sobre o evento e sobre o novo grupo em formação na região.

Sabemos que matérias televisionadas podem ser rápidas e não abordarem aspectos da arte marcial com toda profundidade mas a edição vinculada ao programa Globo Esporte na retransmissora local da da TV Globo (Rede Bahia) ficou muito boa! Continuar lendo Matéria sobre Kyudô na TV Brasileira