A Prática

Ao iniciar na prática de kyudô, deve-se aprender, antes de tudo, a forma como seu aprendizado se dá. Na cultura japonesa forma e respeito estão intimamente ligados e, por isso, há muitas regras tanto no local de exercícios (chamado dojo) como quanto com respeito ao modo de se fazer esses exercícios.

Há níveis de evolução na prática, antes mesmo de se usar o arco, e essa visão do aprendizado em “passos” prossegue todo o tempo. Em especial, ao atirar com o arco, há uma progressão de oito passos básicos (que também sofrem subdivisões) sempre seguida: posicionamento dos pés (ashibumi), correção da postura (dōzukuri), preparação (yugamae), suspensão (uchiokoshi), vergadura (hikiwake), encontro (kai), separação (hanare), reflexão (zanshin). Ao se atirar, cada um desses oito passos são não mais do que alguns segundos, momentos quase indivisíveis, mas para o arqueiro seu entendimento é crucial: o erro em um compromete todos os momentos seguintes.

Assim, o aprendizado inteiro também ocorre por etapas. No princípio, o iniciante deve treinar com as mãos vazias, aprendendo construir a postura correta na progressão dos passos; então repetirá os mesmo movimentos com uma borracha, para treinar a musculatura a realizar os 8 passos na forma correta; depois treinará apenas com o arco, enfim com esse e sua flecha sem penas, quando passará a atirar num alvo de curta distância, ou Makiwara. Só quando estiver com um domínio razoável dos oito passos, poderá disparar no alvo mais distante (cerca de 28m de distância).

Modelo padrão de um dojo. Muitos grupos de Kyudo pelo mundo não treinam em um dojo dedicado, muitas vezes em ginásios que possam resguardar a segurança dos demais.
Dimensões e divisão dos ambientes em um dojo tradicional

 

Isso ocorre também porque é preciso cuidar da segurança do praticante e de quem o cerca: as flechas podem não ser mais usadas em guerras hoje em dia, mas ainda podem ferir alguém! Além disso, o próprio iniciante, se não for devidamente orientado, poderia vir a se machucar ao manusear o arco. Por isso o aprendizado é gradual e supervisionado. Pelo mundo, muitos grupos de kyudocas não possuem um dojo dedicado à pratica de Kyudo e realizam seus treinos em quadras poliesportivas, ginásios e dojos de outras artes marciais que atendam as medidas necessárias ao disparo mas que, principalmente, resguardem a segurança dos demais.

 

 

 

Tecnicamente, os estilos de Kyudô podem ser subdivididos em duas categorias: shamen uchiokoshi e shomen uchiokoshi (desenvolvido por Honda Toshizane). Em qualquer um deles os oito passos mencionados acima irão estar presentes, mas pequenas variações acontecem. Assim, os arqueiros shamen levam o arco para frente e ajeitam a empunhadura antes de o elevarem (dai-san antes de uchiokoshi).

Quanto ao arco, todos os praticantes usam o mesmo tipo de arco, independente do estilo ou escola, e este arco praticamente não mudou desde o séc. XII. Tradicionalmente feito de madeira e bambu, o arco japonês é um dos mais longos do mundo, com mais de dois metros de altura. Abaixo existe um quadro simples com faixas de altura de praticantes e suas flechas e arcos ideias:

Tabela baseada em faixas de altura de kyudocas e suas respectivas flechas e arcos ideais.
Diferenças de tamanho dos arcos a partir da altura de um Kyudoca

 

 

2 comentários sobre “A Prática”

  1. É uma arte milenar que eu gostaria de aprender principalmente no controle fisico e mental do arco. Completei 11 anos , um dia vou praticar agora não posso pois já tenho tres atividades físicas.

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